Perrengues com o Submarino
Telefone já foi luxo. Lembro-me da linha cobiçada chegando à casa da minha tia depois de uma longa espera e de um salgado pagamentinho para a Telesp. Hoje telefone é necessidade quase básica. Já imaginou pegar um ônibus/carro simplesmente para ir à casa da progenitora de sua mãe só para avisar:"Tá na hora do remédio, vó".Nas compras pela internet é a mesma história: de comodidade frívola, tornou-se necessidade de todo paulista fazer pedidos pelo seu navegadorzinho de internet. Todo mundo sabe da dependência que temos dos serviços que nos alivie de uma locomoção desnecessária nessa cidade. Todo mundo, exceto as empresas que prestam serviços de vendas pela internet, especialmente o Submarino.Passei por alguns perrengues seguidos com o Submarino, tão incômodos que até tive ânimo de escrever um post para narrar minhas desventuras. Uma das coisas que o Submarino não conhece é urgência. Nas minhas compras recentes, o processamento do pedido tem demorado muito. Uma simples conferência de pagamento via cartão de crédito não é feita em menos de um dia. A entrega, via transportadora, tem demorado acima dos três dias úteis prometidos no site. Até os Correios, em entregas comuns, tem me dado a alegria de dois dias úteis para a entrega. Se você quiser fazer um teste dessa ineficiência no trajeto de suas compras, faça um pedido no Submarino e, em seguida, compre algum item no Estante Virtual. Dependendo da disposição do funcionário do sebo o pedido de um livro usado, via Correios, chegará em prazo menor do que o simbólico prazo prometido pelo Submarino.Outro sistema ineficiente do Submarino é o de separação de produtos: os itens chegam empoeirados e, como se não bastasse, trocados. Num pedido recente comprei a versão de bolso de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Adivinha o que veio no lugar? Ironicamente, a obra prima Seus Problemas Acabaram.Mas a verdadeira maratona começou mesmo na tentativa de troca do produto. Liguei e, depois de passar por uma mensagem eletrônica, falei com uma atendente - simpática até - que me deu um vale trocas no valor do livro. Só que aí pensei: e o valor do frete que eu já havia pago na entrega do produto incorreto? "Só podemos oferecer o valor do livro", foi a resposta da moça, de mão atadas graças à política do site mais famoso de web-commerce brasileiro. Com isso, além do prejuízo das chamadas telefônicas (que não são gratuitas) na tentativa de resolver os problemas, perdi o valor do frete que ficou de graça para a transportadora. Hoje, antes de comprar qualquer livro, faço uma pesquisa no Estante Virtual para ver se eu acho o item de que preciso. Em último caso, vou ao Submarino apostar minhas cartas no jogo de azar que tem sido fazer compras por lá.
via ScribeFire